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O mercado de trabalho
Mauricio Campos de Menezes
Longe
estamos de ter a solução para os problemas que
afligem as empresas na área de Recursos Humanos. Ainda
não foi possível encontrar a receita certa para
eliminar uma situação que ocorre todos os dias
dentro das maiores e menores organizações, de
norte a sul e de leste a oeste do nosso país: a escassez
da mão-de-obra qualificada.
Este fato não é novo e nem raro. Pelo que se
sabe, há vários anos que as empresas convivem
com esta situação e muitos foram os programas
de estímulo e incentivo a formação de
mão-de-obra qualificada levada a efeito pelo governo
federal para suprir o mercado de profissionais com alguma
qualificação para atender as demandas cada vez
mais exigentes das empresas.
Nesta esteira, entidades como SENAI, SESC, Sebrae e outros
grupos utilizaram e utilizam de recursos disponibilizados
através de convênios com entidades das diversas
esferas do governo, ofertando programas de toda ordem que
tentavam e tentam contemplar as indústrias, o comércio
e as empresas prestadoras de serviços. Só nas
três unidades do complexo do Sistema “S”
acima citadas, do Estado de São Paulo, mensalmente
são ofertados mais de 300 cursos. Porém, não
se observa um aumento na oferta da mão-de-obra com
a qualificação deseja.
Aonde reside o problema? O que é que realmente está
acontecendo? Sem querer encontrar os algozes desta situação,
onde está o gargalo? Essas e outras perguntas são
formuladas a todo instante, sem que se tenha uma resposta
plausível. Dia após dia, profissionais são
colocados no mercado de trabalho, oriundos dos mais diversos
cursos de ensino superior, das escolas técnicas, dos
inúmeros cursos técnicos e profissionalizantes
e dos cursos livres espalhados pelos Estados. Mas, por que
é que as empresas continuam com deficiência de
mão-de-obra qualificada?
Em um trabalho de busca, conseguiu-se identificar em artigos
e em entrevistas dadas por empresários e técnicos
da área de Recursos Humanos para revistas e sites especializados,
dois fatores que podem nos dar uma dimensão próxima
de qual seja o problema: o primeiro, diz respeito à
mudança do perfil profissional procurado pelas empresas.
Foi-se o tempo em que bastava que o empregado tivesse vigor
físico para bem desenvolver as atividades de uma profissão.
O intelecto era importante, mas o empregado não era
exigido neste quesito.
Os tempos mudaram e a evolução tecnológica
foi incorporada às atividades laborais. A força
bruta cedeu espaço a um profissional mais habilidoso
e detentor de conhecimentos mais específicos. Nos dias
de hoje, com o avanço da alta tecnologia e dos modelos
de gestão empregados pelas empresas, o colaborador
interno tem que possuir, além das habilidades técnicas,
visão empresarial e certo refino no trato e no relacionamento
interpessoal, entre outros requisitos.
O segundo fator nos remete a outra ponta do processo, a formação
profissional. Existem casos em que os profissionais não
estão sendo preparados adequadamente para o exercício
das novas profissões. É comum vermos recém
formados se candidatarem a cargos sem as competências
e/ou habilidades necessárias. Algumas escolas ou cursos
não investem nos quesitos que as empresas mais necessitam
para a formação de um novo profissional. Simplesmente
constroem conteúdos atrativos para as necessidades
de venda do produto e de acordo com as suas conveniências
de ganho. Não é raro encontrar cursos com conteúdos
que pouco ou nada acrescentam aos alunos. Neste caso, cabe
às empresas investirem naqueles profissionais que possuem
alguma condição de aproveitamento, detectado
no processo de recrutamento e seleção.
Na prática, o que se tem é a empresa tendo que
qualificar o então candidato a emprego, face a enorme
distância entre o profissional que se diz pronto e que
chega a suas portas, e o desejado por ela para compor o seu
quadro de colaboradores internos.
Este cenário nos mostra uma outra realidade dentro
das companhias. Os bons profissionais ao invés de serem
valorizados e prestigiados, acabam assoberbados de trabalho
e impedidos de crescerem ou galgarem novos degraus, pelo fato
de não terem substitutos à altura. Neste caso,
perde a empresa, que não consegue oxigenar e premiar
os bons e competentes, e perde o colaborador, que se julga
injustiçado por se tornar um multitarefa, sem que com
isto possa ter ganhos proporcionais às suas habilidades,
competências e conhecimento. Daí, para a desmotivação
e a falta de comprometimento é um passo. Mas este é
um assunto para outro artigo. Qualquer semelhança com
a sua empresa é mera coincidência.
Também participou na elaboração desse
artigo - Autreliana Lopes T Nogueira - Graduada em Administração
e aluna do Curso de Pós-Graduação em
Recursos Humanos do Grupo UNINTER – Rondonópolis-
MT.
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