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Gestão de Competências
Críticas e reflexões
acerca da gestão de competências
Bitencourt, Claudia
Para
Sandberg (1996), o desenvolvimento de competências deve
ser compreendido com base nas práticas organizacionais,
focalizando sua análise no enriquecimento de experiências
e vivências (abordagem interpretativa) . "Mais
especificamente, destacamos que o desenvolvimento de competências
envolve a mudança na estrutura e no significado das
práticas de trabalho" (Sandberg e Dall'Alba, 1996,
p.411). A questão, então refere-se não
apenas ao que constitui competências, mas também
a como as competências são desenvolvidas.
Em suma, Sandberg (2000) propõe a "compreensão
do significado do trabalho" como a primeira fase para
a definição de competências. Para o autor,
"o desenvolvimento desse conjunto de conhecimentos e
habilidades envolve a mudança na compreensão
do trabalho. Então, para a definição
da visão de competência, parte-se da compreensão
ou da forma como os gestores enxergam competências (way
of seeing)".
Pode-se pensar em tratar a questão em termos de "visão
compartilhada de competências" como etapa posterior
de análise e construção, o que sugere
um trabalho mais unificado. Nesse contexto, as competências
se desenvolvem por meio da interação entre as
pessoas, no ambiente de trabalho.
O ciclo de competência é apresentado por Sandberg
(2000) como forma de unificar a compreensão e a aplicação
das competências, quebrando a visão reducionista
e racionalista do modelo tradicional de competências.
Assim sendo, tem-se o seguinte desdobramento:
• O conhecimento teórico - "representa as
características intelectuais e descritivas incluídas
nas teorias, métodos e fatos que os trabalhadores precisam
conhecer" (Sandberg, 1996, p. 21).
• O conhecimento prático - "representa a
familiaridade do trabalhador com seu trabalho e sua habilidade
de fazer julgamentos sobre o seu próprio desempenho"
(Sandberg, 1996, p. 21).
• Rede de trabalho - "representa os contatos pessoais
e não-pessoais do trabalhador. Os contatos pessoais
referem-se à interação com outras pessoas
no ambiente de trabalho. Os contatos não-pessoais centralizam-
se na rede que se estabelece através do acesso dos
trabalhadores a manuais, livros de instruções,
banco de dados usados no trabalho" (Sandberg, 1996, p.21).
• Capacidade - "a capacidade do trabalhador inclui
aspectos físicos e psicológicos. Os aspectos
físicos são definidos pelo volume de trabalho
que o trabalhador pode realizar em um espaço específico
de tempo. As características psicológicas relacionam-se
ao sentimento ou experiências pessoais no sentido de
"ser uma pessoa competente, podendo cumprir os resultados
desejados" (Sandberg, 1996, p.21)
• Concepção – é a origem
do modelo e o que oferece significado às demais variáveis.
Boterf (1997) por sua vez, situa a competência valendo-se
de três eixos principais, que consideram a formação
pela pessoa (biografia, socialização), a formação
educacional e a experiência profissional. Ressalta,
ainda, os aspectos referentes à responsabilidade e
legitimidade na construção da noção
de competências.
A responsabilidade implica o domínio do métier
e o engajamento responsável na atividade, enquanto
a legitimidade associa-se ao reconhecimento por parte dos
superiores, pares, subordinados, em relação
à capacidade de agir e de responder às situações
que aparecem (Ruas, 2000).
Ruas (2000) trata a questão da competência em
termos de recursos destacando a importância da articulação.
As propostas de Sandberg (1994) e de Boterf (1997) resgatam
aspectos importantes que contribuem para a reflexão
do tema. De acordo com elas, os aspectos voltados à
interação entre as pessoas, ao significado da
competência e à experiência são
o foco da abordagem apresentada por Sandberg (1994). Paralelamente,
a ênfase atribuída por Boterf (1997) centraliza-se
na questão da articulação, legitimação
e formação. Assim sendo, as abordagens se complementam.
• A interação entre as pessoas propicia
uma melhor articulação referente às diretrizes
e aos níveis organizacionais.
• A identificação do significado da competência
permite sua legitimação.
• A experiência relaciona-se diretamente à
formação no sentido de capacitação
que implica visão pessoal, educacional e profissional.
A competência, portanto, pode ser explicada com base
em sua concepção, redes de trabalho e recursos
de competência.
Fonte: Bitencourt, Claudia. Gestão contemporânea
de pessoas. Novas práticas, conceitos tradicionais.
Porto Alegre: Bookman, 2004.
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