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Crise: Esse Filme Eu Já Vi!
por Luiz Augusto Costacurta Junqueira*
Crise
é igual a oportunidade!
É na crise que se conhece um executivo!
Importante é identificar e punir os culpados!
Não se assuste caro leitor. Não vamos voltar
ao lugar comum.
Nossa idéia aqui é a de apresentar um pouco
do que aprendemos com as crises que já aconteceram
no passado e suas implicações para a área
de T&D. Crises têm uma dimensão irracional
que provoca a “saída dos eixos” nas pessoas
ansiosas, pessimistas, avessas ao risco etc. Por outro lado
a reatividade costuma ser o lugar comum de nosso comportamento
diante dessas crises. Quem se antecipa a um problema certamente
possui mais munição para resolver o que vier
daí para frente. Não esquecer de que não
existem crises sem fim; chega um momento em que tudo volta
ao azul.
Em primeiro lugar, vamos pensar nas causas da crise, depois
em suas conseqüências. Identificando essas causas,
as soluções ficam mais claras, rápidas
e duradouras. Alternativas de solução aplicadas
sobre os efeitos da crise podem mascarar o problema, tal como
tomar comprimidos para curar um câncer.Vale mencionar
que aceitar que temos algo errado já é o primeiro
passo para uma solução
Crises são momentos em que a geração
de confiança é algo fundamental para não
contaminar as relações. Cumprir prazos, dizer
o que pensa e sente, aceitar as diferenças individuais
e compartilhar as informações torna-se algo
crítico. Sem confiança o trabalho em equipe,
as soluções de consenso, a troca de informações
ficam inviáveis.
Lembrar-se de que na crise tudo passa a ser mais negociável,
a “pechincha” mais aceitável, a “cara
de pau” é aceita sem mais delongas. Quer melhor
momento do que esse para conseguir maiores concessões
de seus fornecedores?
Também as margens de negociação se tornam
mais longas, nossa perspectiva temporal muda; do “para
ontem” passamos “para o anteontem”. Quem
é mais rápido no gatilho vence o duelo. Quem
sabe esperar compra melhor.
É um caso típico em que o poder mudou de lado.
Se você tem o hábito de ser o profeta da catástrofe,
tome cuidado! Assim fazendo você entra, de novo, na
vala comum. Procure ver e divulgar aspectos, informações
positivas. Todos vão de lembrar mais de você.
Um comportamento contrário afasta as pessoas de suas
relações. Uma postura consultiva, de solucionador
de problemas, se torna mais eficaz.
A tendência maior de todos é de pensar e agir
mais a curto prazo na busca de resultados tangíveis
(mais quantitativos do que qualitativos) . Chamamos tal comportamento
de “síndrome do papel higiênico”;
compramos um artigo inferior, para termos / divulgarmos reduções
de custos. Isso cheira a desespero. Aqui vale, mais do que
nunca, o princípio de Pareto: 20% de nossas ações
são responsáveis por 80% de nossos resultados.
Seu tempo está sobrando? Pense em fazer aquilo que
deixava de lado quando não tinha tempo. Volte a pensar
um pouco em sua família, dedique mais tempo para o
benchmarking, aumente seu networking, fique mais “visível”
para sua empresa e para o mercado.
Considerar que todos seus fornecedores devem estar com problemas
de caixa; antecipe suas contratações para o
final do ano e 2009. Outra razão para isso é
considerar que seu orçamento de 2008 certamente será
maior do que aquele para 2009.
O treinamento por massa crítica pode ser uma alternativa
a considerar quando se fala em redução de custos.
Essa metodologia permite treinar até 300 pessoas, simultaneamente,
com as características participativas de um grupo de
20 pessoas. A economia estimada é da ordem de 30%.
O Diretor Financeiro vai adorar.
Um número menor de fornecedores poderá ser uma
estratégia para incentivá-los a conhecer melhor
suas necessidades e cobrar menos pelos serviços. De
certa forma podemos ter um efeito Google ao contrário.
Opções em demasia podem prejudicar uma análise
daqueles fornecedores que oferecem maior qualidade. Outro
reforço dessa colocação é que
em momentos de crise todos procuram obter a máxima
garantia em tudo o que compram.
Uma forma de passar aos colaboradores o interesse da empresa
em sua retenção é manter um fluxo constante
de treinamento, mesmo que em atividades mais curtas, de menor
custo, inclusive coordenadas por consultores internos.
Em seus eventos pense sempre no envolvimento dos componentes
da cadeia de valor de sua empresa. Soluções
sistêmicas costumam ter um resultado potencializado.
Alem de passar uma imagem de parceria e compartilhamento,
não seria de todo ruim o treinamento receber um elogio
de um cliente ou fornecedor.
A tensão no ambiente profissional e familiar deve aumentar;
comportamentos voltados para “apaziguamento” diante
de conflitos são mais indicados e farão o diferencial.
Em momentos de tensão que as pessoas revelam seu Eu
escondido. É um excelente momento para identificar
aqueles em quem se pode investir no futuro.
Um conselho para você, profissional de T&D. Mais
que nunca, em momentos de crise, procure contratar programas
e serviços cujos resultados possam ser quantificáveis
e funcionem como geradores de caixa para sua empresa.
Veja, abaixo, alguns dos indicadores que podem ser considerados:
• Grau de motivação dos líderes
• Grau de satisfação dos clientes
• Índice de mobilidade vertical (promoções
internas)
• Market-share
• Rentabilidade
• Saída de talentos
• Turnover
• Custo-hora de treinamento x média do mercado
• Índice comparativo de treinamento per capita
• Projetos gerados x Projetos implantados
Para terminar, vamos retomar o que dissemos no início.
As crises têm fim, trazem sempre lições
que podem nos ajudar a equacionar problemas antes insolúveis,
forçam as pessoas a sair de sua zona de conforto e
podem servir para mostrar (ou não) que a função
treinamento pode ser mais centro de lucros do que de custos.
Não se iluda, “o negócio” de T&D
não é desenvolver pessoas (isso é processo),
mas sim “produzir $$$” para sua organização,
o resto é conversa. De conversa seu Presidente e seus
diretores estão cheios.
*Luiz Augusto Costacurta Junqueira é CEO do Instituto
MVC, Diretor do IBCO e autor de 11 livros
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