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O reconhecimento que funciona
Você
está reconhecendo seus funcionários de modo
eficaz? Não, se não o faz com freqüência
no mínimo quinzenal, citando os valores organizacionais,
proporcionalmente à conquista e de maneira personalizada
Reconhecimento é uma ferramenta bem reconhecida no
mundo empresarial, com o perdão do trocadilho. Pergunte
a três gestores se eles consideram importante reconhecer
o valor criado por sua equipe e a maior probabilidade é
de que os três respondam afirmativamente. Mas coloque
essas afirmações à prova e logo você
descobrirá o imenso descompasso entre palavras e ações.
O gestor número 1 torna o reconhecimento sua prioridade
apenas quando ele tem tempo para pensar a respeito do assunto.
Para o gestor número 2, reconhecer a equipe significa
levar-lhes sanduíches na sala de reuniões uma
ou duas vezes por trimestre, sanduíches esses que substituirão
o almoço. O terceiro gestor é bastante coerente
tanto em sua política de reconhecimento como na de
recompensas. A linguagem artificial utilizada em seus bilhetes
de agradecimento e o vale de US$ 25 para uma refeição
num restaurante de rede do estilo familiar já viraram
piada em sua equipe, gerando mais trocas de olhares que qualquer
outra coisa. Para que seu reconhecimento fortaleça
o desempenho de sua equipe, ele não pode ser fortuito,
nem generalizado para o grupo, nem mesmo genérico.
É o que afirmam Adrian Gostick e Chester Elton, autores
de The Carrot Principle: How the Best Managers Use Recognition
to Engage Their People, Retain Talent, and Accelerate Performance
[O princípio da cenoura: como os melhores gestores
usam o reconhecimento para obter o apoio de seu pessoal, reter
talentos e acelerar o desempenho] (ed. John Wiley), lançado
em 2007.
O RECONHECIMENTO EFICAZ
Então, qual é o reconhecimento que realmente
funciona?
1. O reconhecimento eficaz
é entregue com freqüência
Reconhecer alguém uma ou duas vezes por trimestre não
adianta nada, embora o gestor número 2 de nosso exemplo
ainda não tenha se dado conta disso. Segundo uma pesquisa
de 1999 da Gallup Organization de Washington, D.C., a motivação
e o engajamento dos funcionários são bastante
afetados pela freqüência com que são reconhecidos
por seu trabalho.
Três anos depois de a subsidiária norte-americana
da firma de auditoria KPMG ter lançado seu programa
de reconhecimento, batizado de Encore, o número de
funcionários que concordavam com a declaração
"Levando tudo em conta, este é um grande lugar
para se trabalhar" aumentou 20%. Ao analisar a eficácia
do programa em cada unidade, Sylvia Brandes, diretora de remuneração
da KPMG nos EUA, descobriu que as unidades que reconheciam
seus funcionários com menos freqüência tinham
maior rotatividade do que aquelas onde o reconhecimento era
regular. E qual é a freqüência ideal do
reconhecimento? No mínimo, quinzenal. Não estamos
falando de presentear relógios de ouro semana sim,
semana não, esclarecem Gostick e Elton. "Os gestores
que merecem a confiança e a dedicação
de seus funcionários fazem isso com ações
simples, mas poderosas", escrevem eles em seu livro.
Essas incluem enviar um bilhete de agradecimento sincero,
mandar um memorando elogiando o desempenho aos superiores
com cópia para o elogiado ou usar um momento da reunião
semanal para destacar as iniciativas de alguém. E,
para que o gestor não perca controle sobre isso, Gostick
e Elton recomendam fazer um arquivo para cada subordinado
em que se anotem a data do reconhecimento e a razão
que o gerou.
2. O reconhecimento eficaz reflete os valores organizacionais
Se você quiser que atos de reconhecimento reforcem determinado
comportamento, precisará relacioná-lo mais explicitamente
aos valores da organização, seja esta a equipe,
a unidade de negócios ou a companhia como um todo.
Tenha em mente que, mesmo que você já faça
a correlação, essa pode não estar clara
para os funcionários. "Sabemos que há,
no entanto, muitas missões e valores de empresas que
dão errado", observa Gostick, que é líder
da área de práticas de reconhecimento e treinamento
da O.C. Tanner Company, empresa de Salt Lake City, Utah. "Ou
esses valores são tão detalhados como uma lista
de compras de supermercado ou são muito vagos, como
trabalho pesado, bom atendimento, inovação e
assim por diante. Qualquer que seja o caso, ninguém
acaba entendendo quais valores ou comportamentos são
realmente desejáveis."
Existe outro porém: mesmo quando os valores são
em número limitado e definidos com clareza, os funcionários
são mestres em ignorá-los ou desviar-se dos
vários meios que as empresas utilizam para transmiti-los
a eles. Qual foi a última vez que você leu o
jornal interno de sua empresa do começo ao fim? Seja
sincero: você não aproveitou para pôr em
dia sua agenda eletrônica no último evento sobre
os valores corporativos?
A hora do reconhecimento pessoal, por isso mesmo, é
um momento que deve transmitir valores, porque nem o funcionário
em questão nem seus pares no caso de não ser
um elogio um-a-um podem desviar-se dele. Todos estarão
atentos e o gestor deve aproveitar isso. Eis alguns exemplos:
"Obrigado, Pedro, por ir além do habitual para
deixar nosso cliente feliz. Como você sabe, nossa equipe
vem tentando melhorar os índices de renovação
de serviços e esse tipo de ação ajuda
muito".
"Foi uma ótima idéia convidar a equipe
de projetos especiais para nossa reunião mensal. Falamos
muito sobre colaboração interdepartamental,
mas a verdade é que fazemos pouco nessa área.
Eu valorizo muito seu esforço nesse sentido, obrigado!"
3. O reconhecimento eficaz é proporcional ao desempenho
do reconhecido
Lembra-se do gestor número 3 e seu vale-restaurante
de US$ 25? Seus esforços de reconhecimento foram erodidos
principalmente pelo fato de que ele distribuía tais
vales sem levar em conta a extensão da contribuição
do funcionário ou a magnitude de sua conquista. Alguém
que trabalhou o fim de semana inteiro para finalizar um relatório
importante recebia a mesma recompensa que alguém que
descobria a oportunidade de reduzir as despesas anuais da
unidade em US$ 50 mil. "É desmotivador receber
uma recompensa menor por uma conquista maior, é quase
um tapa na cara", diz Gostick.
Mas antes que você comece a pensar em termos puramente
monetários, leia a quarta qualidade do reconhecimento
eficaz: ele deve ser customizado.
4. O reconhecimento eficaz é sob medida para cada pessoa
O que é importante para as pessoas pode variar consideravelmente.
Um funcionário muito ambicioso pode achar que um tempo
de conversa com o presidente da empresa ou uma reunião
com uma equipe de alto escalão são o melhor
reconhecimento para seus esforços. Já um funcionário
muito dedicado que sempre tem dificuldades de sair do escritório
deixando o trabalho inacabado talvez valorize mais ter um
dia de folga para passear com a família no zoológico
por conta da empresa. Recompensas em dinheiro, escrevem Gostick
e Elton, tendem a não ser muito eficazes, a menos que
sejam quantias substanciais, de mais de US$ 1 mil. Em vez
de usar o dinheiro para comprar algo especial, os funcionários
normalmente o gastam para pagar contas ou dívidas e
se esquecem rapidamente de seu significado.
O RECONHECIMENTO DA EQUIPE
O erro do gestor número 2 foi reconhecer esforços
individuais como se fossem do grupo. Essa tática tem
um efeito próximo de zero. Mas, quando a equipe como
um todo de fato atinge metas, reconhecer essa conquista é
perfeitamente adequado. E não se deve esperar até
que o projeto em questão esteja completo. "Nos
esportes, nós não esperamos a partida terminar
para aplaudir os jogadores, esperamos? Nós celebramos
cada passo em direção à vitória",
compara Gostick. "Já na empresa a tendência
é esperar que as coisas estejam funcionando 100% antes
de celebrar qualquer conquista; é um erro." Gostick
recomenda que, no início de um projeto, definam-se
metas de curto prazo e já se planejem as recompensas
que a equipe receberá ao cumprir cada uma. Cada conquista
é uma oportunidade de celebrar o esforço do
grupo, de reforçar a importância do projeto,
de reacender o comprometimento de todos com as metas.
Fonte: HSM Management
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