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O Efeito Google Em T&D
Benefício ou Desgraça
L. A. Costacurta Junqueira*
Nos últimos
anos o Google se tornou a mais importante ferramenta para
identificação de consultores e de empresas voltadas
para a educação corporativa. Pela facilidade
de utilização, essa “nova” alternativa
vem provocando várias alterações no mercado
de compra e venda de serviços de T&D.
Para melhor compreensão do texto, vamos apresentar
algumas mudanças que afetam os compradores (clientes
de treinamento) e os vendedores(empresas de consultoria) .
Isto feito, analisaremos as conseqüências para
ambas as partes.
Mudanças Para Os Clientes:
• Cada vez mais rápida a busca de informações;
o cliente identifica milhares de prestadores de serviços.
• Diante dessa facilidade o cliente solicita uma proposta
apenas para conhecer o serviço/programa, sem que haja
uma demanda imediata.
• Algumas vezes o cliente só quer saber o custo,
“apenas” para colocar no orçamento
• Há uma tendência em solicitar cerca de
10 a 12 propostas, utilizando critérios de escolha
nem sempre racionais (isso supondo que todas consultorias
irão remeter propostas). Imagine, leitor, que tipo
de consultoria vai remeter uma proposta? Seria aquela que
está mais disponível?
• As decisões tendem a ser mais focadas no custo,
e não na qualidade e customização do
serviço solicitado; isso em decorrência da falta
de tempo para analisar, com detalhes, cada uma das muitas
propostas recebidas.
• Dificuldade de promover um encontro com o cliente
interno. Imagine esse cliente atendendo a 10 ou mais consultorias
diferentes! Como isso não parece possível, as
propostas recebidas tendem a ser genéricas.
• O próprio briefing passado às consultorias,
em conseqüência disso, passa a ser algo que representa
apenas o ponto de vista da área de T&D, que é
levado a adivinhar o que o cliente interno “precisa”.
Mudanças Para Os Consultores/ Fornecedores:
• Aumento exponencial da demanda por propostas. Nossas
pesquisas mostram que, em 2007, para cada três propostas
enviadas, uma se transformava em contrato; em 2008, essa relação
mudou de sete para um.
• As consultorias se viram diante da necessidade de
definir prioridades quanto às demandas a serem atendidas.
Alguns dos critérios utilizados são potencial
do cliente, cliente atual ou passado, tamanho da empresa solicitante,
grau de compromisso de quem solicita, demanda originária
de um cliente indicado por terceiros etc.;
• Os briefings passaram a ser solicitados por escrito
e não apenas verbalmente (buscando-se um mínimo
de comprometimento)
• Quando do recebimento de uma solicitação
de proposta, perguntar aos clientes o número de concorrentes;
utilizando o critério de enrolar” o demandante
quando esse número for superior a três. Enrolar
aqui significa, por exemplo, dizer que todos consultores estão
ocupados, que essa não é sua área de
expertise etc.
• Necessidade de elaborar propostas muito focadas no
evento principal, deixando de incluir um antes”( customização
e definição de metas) e um “depois”
(quantificação e qualificação
de resultados). Essa uma economia nefasta pois reforça
a visão da área de T&D como centro de custos.
• Vale lembrar que o maior relacionamento com os clientes
é a grande “arma” para que as consultorias
enfrentem o efeito Google; visitas, benefícios, vantagens
adicionais se constituem em alternativas para a fidelização
desses clientes.
Conseqüências E Conclusões:
A utilização do Google como principal fonte
de informações sobre fornecedores de treinamento,
bem como temas correlacionados, implica em algumas conseqüências:
• Na maior parte das vezes os dados obtidos são
informativos e não avaliativos / analíticos.
• Privilegia-se a quantidade de informações
em detrimento da sua qualidade.
• Acaba criando uma dose de ‘preguiça mental”
entre ambas as partes, desestimulando uma maior profundidade
na análise da demanda existente.
• Utilizar apenas do Google, implica em desprezar outras
fontes de informação sobre fornecedores de treinamento,
tais como a ABTD (www.abtd.com. br), WEC (www.wec.com. br),
ABRH (www.abrhnacional. com.br), GRUPOS INFORMAIS DE RH (http://www.canalrh.
com.br/gr_ informais/ default.asp);
• Algumas empresas de T&D têm mais visibilidade
no Google, não pela sua competência, experiência,
etc., mas sim porque se utilizam de links patrocinados, têm
mais tecnologia para utilização das palavras-chave
adequadas e na otimização dos mecanismos de
inserção.
• Alta possibilidade, face à rapidez do processo
de seleção e do fornecimento do briefing, que
apenas RH se envolva no processo de escolha, desprezando quem
realmente originou a demanda (o cliente interno). Isso sem
falar no enorme risco que RH passa a correr.
Finalmente, podemos concluir que, utilizado isoladamente,
o Google empobrece o processo de seleção de
fornecedores, bem como leva as consultorias a elaborar propostas
qualitativamente inferiores.
Ambas as partes saem perdendo!!!!
A essa altura o leitor poderá concluir:
“Que texto pessimista, aponta os aspectos negativos,
pouco ou nada mencionando sobre os aspectos positivos”.
Entendemos que mudanças ocorrem mais rapidamente quando,
em vez de indicar soluções genéricas,
procuramos induzir as partes a aceitar que existe um problema,
bem como sua extensão e respectivas conseqüências.
É mais fácil utilizar a teoria ou o conhecimento
quando sentimos que isso pode nos ajudar a resolver um problema
que já aceitamos possuir.
*L. A. Costacurta Junqueira é
CEO do Instituto MVC e Diretor do IBCO – Instituto Brasileiro
dos Consultores e Organizações, Autor de 11
Livros.
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