Gerenciando o valor de um profissional

Analisando a fórmula proposta, podemos identificar ações que, atuando sobre os diversos componentes, permitem afetar o resultado. Ações estas que estão tanto ao alcance da empresa como do próprio profissional. Gerenciar a equação de valor é um exercício dinâmico com, de um lado, a empresa, defendendo seus interesses e, do outro, o profissional defendendo os seus. Mas não se trata de algo parecido com um “cabo de guerra”, pois, quando bem conduzido, o processo leva à resultados de interesse comum.

Vamos ver de que forma a equação pode ser gerenciada e por que.

Valor Atual
Tanto o profissional quanto a empresa têm interesse em aumentar o termo “contribuição atual”. O profissional esforçando-se para maximizar suas realizações no curto prazo, focalizando e colocando em prática seus conhecimentos, competências e experiência nas atividades que lhe são atribuídas.

A empresa assegurando-se que as atividades atribuídas ao profissional e os recursos disponibilizados para este sejam os mais compatíveis com seus conhecimentos, competências e experiência para viabilizar a maximização dos resultados do trabalho. Ambas as ações, mantendo-se constantes os demais termos da equação, especialmente a remuneração, agem no sentido de aumentar o valor do profissional. Aumentar o valor do profissional, porém,  o torna mais apetitoso para o mercado. Um profissional que ganha menos que a média de seus similares no mercado e contribui no mesmo nível ou mais, é, ao mesmo tempo, atraente e “atraível”. Não demora, os headhunters começarão a atacar.

Cabe então à empresa reajustar a remuneração do profissional para realinhar a relação custo/benefício do profissional. Aumentando o divisor, obviamente vai diminuir o valor total voltando ao que era originalmente, porém, agora, num patamar de remuneração mais alto. Um exercício delicado, já que, se aumentar demais a remuneração, o custo/benefício cairá abaixo do ponto ideal, e se não aumentar o suficiente, o profissional continuará sendo, ainda que um pouco menos, atraente e “atraível” para o mercado. 

Se a empresa não tiver a competência para gerenciar esta relação, caberá ao profissional tomar iniciativas que visem o reajuste de sua remuneração, seja negociando com sua empresa, seja indo ao mercado. No médio prazo, num mercado de trabalho aberto e dinâmico como o que existe hoje em dia no Brasil, pelo menos nas principais cidades, o realinhamento ocorrerá, de uma forma ou de outra.

Há várias importantes conclusões a serem extraídas do raciocínio acima:

  • A remuneração não é causa, e sim conseqüência, e como tal, segue e não precede variações na contribuição.
  • O crescimento financeiro do profissional é um processo discreto e não contínuo, parecido com o andar de uma minhoca, antes vai a cabeça e depois segue o rabo, num trajeto que mais lembra uma escada que uma ladeira reta.
  • O profissional não tem, no médio prazo, interesse em pressionar para obter um aumento de sua remuneração além do justificado pelo aumento de sua contribuição, ou estará sujeito a tornar-se menos conveniente, para a empresa e para o mercado, que outros profissionais menos caros.
  • A empresa não tem interesse, no médio prazo, em manter a remuneração do profissional abaixo do justificado pela sua contribuição, ou estará sujeita a perder o profissional para o mercado de uma hora para a outra.

O processo de permanente (re)alinhamento de valor pela remuneração é discreto porque não se pode alterar a remuneração nem a qualquer hora nem o tempo todo. Existem fatores que o tornam em parte inelástico, como barreiras à saída do profissional, tanto por iniciativa própria (principalmente barreiras emocionais), quanto por iniciativa da empresa (principalmente barreiras financeiras). Portanto, é normal que existam períodos durante os quais há defasagem entre contribuição e remuneração, porém, cabe ao profissional e à empresa assegurar-se que estes períodos não sejam longos demais.

Valor Futuro Potencial
Já vimos que o fator custo, pelo efeito dissídio, cresce continuamente, aumentando o divisor em ambos os termos da equação de valor, e assim fazendo com que o valor potencial vá caindo com o passar do tempo. Também vimos que o peso do valor futuro diminui à medida que o tempo útil restante diminui. É, então, fácil concluir-se que, para manter ou aumentar o valor total, é necessário que se faça algo para aumentar a contribuição futura potencial. Novamente profissional e empresa têm interesses comuns ainda que estes se manifestem de forma diferente.

O profissional precisa atuar buscando agregar cada vez mais conhecimentos, competências e habilidades relevantes, através do esforço continuado de auto- desenvolvimento.e aprendizagem. Buscar renovar suas abordagens, aumentar sua eficácia e eficiência, encontrando novas soluções para velhos e novos problemas.

Estudar, participar de treinamentos, pesquisar, fazer bench-marking das melhores práticas entre profissionais de destaque e adotar estas práticas, buscar oportunidades para praticar novas e melhores competências, pedir e abrir-se ao feedback para orientar seus esforços de auto-melhoria, são algumas das inúmeras iniciativas à disposição do profissional. Outra maneira de fazer isso é disponibilizando-se para novas experiências, projetos especiais, missões esporádicas, tarefas extra-ordinárias, dentro e fora do âmbito profissional.

As iniciativas da empresa nesse sentido incluem identificar carências e necessidades de desenvolvimento no profissional e proporcionar-lhe treinamento e oportunidades para a absorção de novos conhecimentos, a adoção de novas e melhores práticas, o desenvolvimento e a posta em prática de novas habilidades.
Todo investimento no aumento da capacidade de contribuir, seja de iniciativa do profissional que da empresa, resultará no aumento do valor do profissional e é portanto, de interesse de todos.

Infelizmente muitos profissionais pensam que, por terem atingido um determinado nível de senioridade, podem “deitar-se em berço esplêndido” e parar de investir no aprimoramento de seu saber e de seu saber fazer. Não fazê-lo levará a inevitável sucumbência ao monstro da idade. Aliás, quanto mais idade maior precisa ser o esforço para continuar se desenvolvendo pois como é sabido, é difícil ensinar truques novos para cachorro velho porque a capacidade de absorção de novos conhecimentos diminui com a idade. 

Concluindo, o valor de um profissional não é uma noção entérica e/ou determinada de forma aleatória por forças incontroláveis. É uma variável perfeitamente gerenciável, tanto por parte do próprio profissional quanto por parte da empresas.

A idade é um fator que afeta o valor, mas cujos efeitos são superáveis por uma atitude consciente e pró-ativa. A vida profissional, a carreira, não é uma corrida de 100 metros e sim uma maratona. O sucesso depende menos de força e explosão e mais de inteligência,       auto-conhecimento, persistência e resistência. Não consigo lembrar de algum campeão de maratona que seja particularmente jovem.

 
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