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O Fator I
Por Carlos Diz
Por trás da preterição numa promoção,
além do fator R de rejeição, discutido
previamente, pode também estar o fator I, de “insubstituibilidade”.
Este também aparece na hora de se decidir quem será
promovido e atua de forma a prejudicar as chances do profissional.
Quantas vezes já ouvi alguém dizer “Fulano
não! Fulano é insubstituível! Se ele
sair de lá eu estou perdido. Podemos promover qualquer
um, mas fulano não!”. E Fulano acaba preterido.
Ao contrário do fator R que é insidioso e engorda
escondido, o fator I é perfeitamente visível
durante sua constituição. É um típico
caso de “morde a mão que o alimenta”. Suas
vítimas parecem trabalhar deliberadamente para reforçá-lo,
centralizando o trabalho e a informação, não
atuando no desenvolvimento de seus subordinados, cercando-se
de colaboradores, por um lado medíocres e pelo outro,
desmotivados. Uma caixa de entrada de e-mail repleta, várias
férias acumuladas, uma agenda compacta e uma expressão
facial que parece dizer “eu sou essencial!”.
Normalmente esses profissionais são de fato competentes
e eficazes. Dão resultados e resolvem problemas, exatamente
como deles se espera. O problema é que se dedicam exclusivamente
a isso, não sobrando nem tempo nem motivação
para o desenvolvimento de um ou mais possíveis sucessores.
Não havendo quem possa sucedê-los não
surpreende que seja difícil tirá-los de onde
estão.
Quais são as razões que levam esses profissionais
a adotar uma estratégia gerencial que equivale a dar
um tiro no próprio pé?Na minha experiência
a principal razão é insegurança. Medo.
Medo de perder o emprego. Infelizmente muitos profissionais
acreditam que ser “insubstituível” garante
a continuidade do emprego. Muitos não entendem que,
também, garante a não promoção,
e pior. Essa estabilidade percebida é uma ilusão.
Agindo dessa forma o profissional vai se tornando obsoleto
“in-loco”, não evolui nem deixa evoluir.
Vai vendo seus colegas e subordinados de seus colegas sendo
promovidos e passando por cima dele. Mais cedo ou mais tarde
torna-se indispensável substituí-lo, só
que não para promovê-lo e sim para demiti-lo.
Aí, comprova-se que ninguém é, de fato,
insubstituível.
Sabidamente centralizadores e bloqueadores do progresso de
seus subordinados, estes profissionais espantam os melhores
colaboradores que não entram para a equipe ou dela
saem assim que possível. Resta, assim, uma equipe formada
por pessoas que não conseguem outra coisa, nem dentro
nem fora da empresa, ou que não tem ambição,
ou que também vivem dominadas pelo medo. Com uma equipe
ruim, a necessidade de centralizar tarefas torna-se ainda
mais forte. Está criado o círculo vicioso da
"insubstituibilidade".
O objetivo de qualquer profissional, ainda que anti-instintivo,
deve ser o de trabalhar para tornar-se desnecessário,
organizando o trabalho, treinando as pessoas, atraindo os
melhores colaboradores à sua equipe, melhorando os
processos e juntando os recursos para tanto. E dando os resultados
esperados e algo a mais.
O que pode parecer suicídio profissional é,
em realidade, a melhor maneira de posicionar-se para o crescimento
profissional em geral. Preparar um ou mais sucessores potenciais
é mais que obrigação, é bom senso
profissional.
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