| |

Como lidar com headhunters (parte
I)
por Carlos Diz
Baseado na minha observação
ao longo de muitos anos, conclui que existe grande confusão
na cabeça de muitos executivos brasileiros quanto ao
papel dos headhunters e ao como lidar com eles. Os inconvenientes
derivados dessa confusão podem ser diversos e variar
de a simples perda de uma boa oportunidade profissional até
a alienação completa do profissional de um canal
significante na movimentação do mercado de executivos
no país. Dados de mercado indicam que os headhunters
respondem por algo entre 20 e 30% das colocações
de executivos no mercado brasileiro, um número que,
por si só, é significativo, porém, não
dramático. Porém, se considerarmos que as posições
trabalhadas por headhunters tendem a ser as mais altas e mais
seniores, é fácil perceber que a representatividade
destes profissionais é bem maior tanto em termos do
valor financeiro das posições por eles preenchidas,
quanto em termos do impacto que têm sobre o mundo dos
negócios do país.
Se o desconhecimento da atividade
de headhunting por parte dos executivos era compreensível
trinta anos atrás, quando a profissão iniciou
no Brasil, hoje em dia não é só incompreensível,
é condenável.
Alguém me disse uma vez, com aparente grande orgulho,
“nunca precisei de um headhunter para arrumar um emprego
pra mim!”. Esta é certamente uma das grandes
besteiras que um executivo pode proferir. Por várias
razões.
Ninguém “precisa” de um headhunter para
arrumar um emprego, inclusive porque headhunter não
arruma emprego para profissionais. Headhunter arruma profissionais
para empregos. Exatamente o contrário. Portanto, mesmo
que se precise, não vai funcionar, aliás, veremos
adiante, precisar atrapalha.
O orgulho aparente transparece uma certa arrogância
derivada da crença – errônea – de
que quem é bom não lida com headhunters e, seu
corolário, de que quem lida com headhunters é
fraco.
A afirmação está provavelmente fundamentada
no fato de a pessoa não ter nunca tido contato relevante
com um headhunter, pelo menos não o suficiente para
entender esta atividade. Como sempre, o preconceito está
baseado na ignorância.
Já vimos que headhunting
não deve ser confundido com Recolocação
(arrumar emprego para profissionais). Também é
importante não confundir esta atividade com a de “seleção”.
A relação entre estas duas sendo a mesma que
entre ir a um alfaiate para confeccionar um terno sob-medida
e comprar um terno pronto na medida padrão que mais
se aproxime da sua. A segunda alternativa é sem dúvida
mais barata, mas em compensação você pode
ter que aceitar ombros do paletó um pouco mais largos
que os seus.
Headhunting é um trabalho
sempre feito sob-medida, e que consiste em identificar os
melhores profissionais no mercado que possam ser atraídos
para a posição do cliente.
É tipicamente um trabalho meticuloso e profundo que
eu sempre gostei de descrever como “beijar muitos sapos
para, talvez, encontrar um príncipe”.
Não cabe aqui entrar em
detalhes sobre os sub-processos de identificação,
verificação, avaliação, defesa,
apresentação, negociação, verificação
de referências e contratação que compõem
o processo geral de headhunting. Mas, é importante
entendermos algumas implicações desta seqüência.
Já vimos que não é o executivo que contrata
o headhunter. Também não é o executivo
que procura o headhunter e sim o contrário (mais adiante
falaremos de por que e como se fazer conhecer por headhunters).
Portanto, para quando o telefone tocar e for um headhunter
(de verdade, não daqueles que tentam se fazer passar
por um), segue aqui uma lista de recomendações
sobre o que fazer e não fazer.
Fique feliz, se estão
lhe ligando é porque descobriram que você existe,
e isso só pode ser bom. Entenda que quem cuida desta
primeira abordagem quase nunca é o headhunter e sim
alguém de seu time encarregado de fazer uma triagem
grossa. O nome da firma pode ser a de importantes headhunters,
mas a pessoa com quem você vai falar é provavelmente
júnior. Não espere perguntas complexas e profundas
desta pessoa, nem faça esse tipo de perguntas. O objetivo
deste contato não é tratar de tudo o que é
relevante para o preenchimento da posição e
sua eventual contratação. É, simplesmente,
estabelecer se você tem o mínimo de condições
requeridas para poder ser incluído na chamada long-list,
a lista de possíveis candidatos a candidato. Porém,
trate bem esta pessoa, pois, ela vai decidir se inclui seu
nome entre os que vai levar à atenção
do consultor sênior ou não.
Mesmo que você não
tenha interesse na posição descrita (sucinta
e superficialmente nesta fase) e/ou não tenha interesse
em sair da sua empresa atual, trate bem esta pessoa e forneça
as informações solicitadas. Lembre-se que se
esta não parece ser a oportunidade profissional de
sua vida, a próxima ligação desta firma
de headhunters a você pode muito bem ser. Mas, se você
não tiver fornecido as informações requeridas
ou tratado mal a pessoa, dificilmente haverá uma próxima
ligação. Headhunters tem excelente memória!
E não é questão de vingança não.
Não saber como lidar com um headhunter, para não
falar de arrogância, deseducação, etc.
são sinais de incapacidade e falta de preparo do executivo
e, como tais, o desqualificam de cara.
O seu objetivo, nesta fase, independente
de seu interesse pela posição em questão,
é conseguir ser entrevistado pelo consultor sênior
(o headhunter). Isto pode implicar em ter que passar por uma
entrevista intermediária com um consultor júnior.
Tenha paciência, é pro seu bem! Isto porque uma
vez entrevistado você será conhecido pelo headhunter
e lembrado para aquela próxima oportunidade. Se você
não for conhecido, terá que ser encontrado pela
triagem grossa, e terá menos chances de sucesso.
Nunca, nunca, nunca minta com
respeito às suas qualificações, competências
ou realizações. Headhunters podem não
ser os seres mais inteligentes do mundo, mas não têm
nada de bobos. Toda informação fornecida, pelo
telefone, numa entrevista, etc. sempre será verificada
de uma forma ou de outra, especialmente via levantamento de
referências. Se você for pego mentindo, mesmo
com respeito a um detalhe inócuo, vão colocar
uma pedra em cima de você e nunca mais lhe contatar
para nada.
Lembre-se que o headhunter não precisa de você
(há mais de 400mil executivos no Brasil), especialmente
na fase inicial do processo na qual se encontra. Neste momento
você tem muito mais interesse que ele em construir uma
boa relação.
Continuaremos na próxima
edição.
|
|