Do instinto ao raciocínio: conduzindo o cérebro a nosso favor
por Lídia Tamy

Embora a maioria das pessoas tenha poucas informações sobre como desenvolver o nosso cérebro, aquele sobre o qual a princípio não temos controle, Izabel Monteverde deu início à sua palestra destacando não só a possibilidade como a necessidade de fazê-lo: “esse órgão tão incrível que temos, pode sim mudar, se adaptar e nos transformar em alguém melhor do que somos agora”, afirmou a neurolingüista.

O processo evolutivo do cérebro se define basicamente por três etapas: a do instinto base, a da emoção e finalmente a do raciocínio / pensamento. É na terceira etapa que se encontra o grande diferencial do homem: a faculdade de usar a razão e a capacidade de estabelecer conceitos como certo e errado, bom e mau, verdadeiro e falso. Por mais incrível que pareça, somado à adaptação social - com o mundo e com as pessoas-, o grande responsável por essa evolução é um mecanismo adaptativo e evolutivo muito conhecido nos dias atuais: o estresse. “O estresse só é ruim quando não se tem recursos para lidar com ele”, afirma Izabel.

Com o avanço da ciência e da tecnologia, recentemente foi descoberta a existência do cérebro moral, determinante para o nosso comportamento pró-social e onde se encontram emoções como: culpa, compaixão, coragem ou benevolência. Esse cérebro constitui a matéria prima do pensamento e é programado por um conjunto de regras (certo e errado, bom e mal etc) construído no inconsciente coletivo.Dentre as três partes que o constituem - lobo frontal, lobos temporais e estruturas límbicas-, Monteverde destacou a parte que, além de berço da razão e da emoção, é a responsável pela tomada de decisão, por criar metas, organizar prioridades, sustentar a atenção (foco) e controlar as emoções: o lobo frontal. “A descoberta do cérebro moral deu por encerrada a idéia de que é possível agir ora pela razão, ora pela emoção. No lobo frontal moram a razão e a emoção.Não tem como usar uma e isolar a outra. Elas andam juntas”, afirmou a palestrante.

Pensar o cérebro como algo passível de desenvolvimento, transformação e adaptação não é suficiente para entendermos os inúmeros conflitos emocionais aos quais diariamente somos acometidos. Izabel acredita que o caos social no qual estamos inseridos é resultado do pouco desenvolvimento da atividade do lobo frontal: “a evolução do nosso cérebro não acompanhou as grandes revoluções científica e industrial, deste modo, não suportamos o ‘bombardeio’ de informações que recebemos diariamente.”

A dopamina, grande responsável pela sensação de prazer e euforia, é bioquímica da motivação, da ação, da superação. Contudo, tal substância precisa ser “estimulada”. Para a neurolingüista, hoje este é o principal problema identificado nos setores de RH das empresas: agem na intervenção e não na prevenção, querem resultado sem estímulo, sem motivação.

As emoções morais, a compaixão e a admiração, são as grandes responsáveis pelo sucesso de Gandhi e Walt Disney: atraíram apaixonados que “vestiram a camisa” e tomaram para si um mundo exterior ao seu.
Partindo deste princípio, Izabel encerrou sua palestra estimulando os presentes: “é possível transformar a sua empresa em um mundo do qual as pessoas queiram fazer parte. É possível transformar seu ambiente de trabalho em um mundo moral com colaboradores excelentes, motivados, superando limites e felizes por estarem ali. Para isso, dentre muitas outras ações, é necessário criar uma ideologia pró-moral (cérebro) na sua instituição, praticar e criar hábitos emocionalmente saudáveis, gerir o conhecimento e prática do aprendizado.”

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