O que é medido torna-se importante.
por Lídia Tamy

Na vida tudo pode ser medido. Tanto no trabalho quanto na vida pessoal, a todo instante mensuramos algo sem perceber. No cenário empresarial, através de indicadores, é possível medir a eficiência dos processos e a eficácia das ações. Para defender o uso de “números” no processo de gestão do capital humano, o administrador Marcelino Tadeu, autor do livro “Indicadores de Gestão de RH”, começou sua palestra no XI Café RHDebates citando frases clássicas como “Não se pode gerir o que não se pode medir” (pilar da qualidade), “Quem não mede não chega” (Ricardo Malfitano), “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve” (Alice no país das maravilhas).

Ao contrário do que muitos podem pensar, não é só o setor financeiro/administrativo das empresas que deve usar a “linguagem dos negócios”. Inspirado pelas palavras do consultor Jac Fitz-enz, Marcelino afirmou que %, PP, $, e muitos outros símbolos podem e devem ser usados pelo gestor de RH. Cálculos, fórmulas, equações e gráficos ajudam na projeção do futuro da empresa.

Os indicadores são parâmetros qualificados e/ou quantificados. A grande diferença está em saber o que se quer medir. Os quantitativos ajudam na compreensão do “o que” (turnover, por exemplo) e os qualitativos são usados quando se quer saber os “porquês”.

De forma clara e didática, o palestrante dividiu o conteúdo da sua apresentação em três blocos. O primeiro corresponde aos cinco aspectos chave dos indicadores operacionais do RH - custo, tempo, quantidade, qualidade e satisfação –, o segundo se refere às dimensões das “atividades” desenvolvidas pelo setor – aquisição, manutenção, retenção, desenvolvimento e desligamento - e o terceiro relaciona os dois blocos anteriores.

“Indicadores são medidas ou referências numéricas que auxiliam na compreensão de custo, tempo, quantidade, qualidade e satisfação das pessoas”, define Marcelino.

Preenchimento de vagas, treinamento, remuneração e fornecimento de benefícios são alguns dos muitos custos do setor de RH. Esses vão depender da quantidade de empregados, dependentes, agregados, aposentados etc. Mas não pára por aqui. Para cumprir com o quesito qualidade, as ações devem ser realizadas de acordo com o tempo determinado. “É necessário que existam parâmetros de controle para aperfeiçoar as atividades do setor, pois só assim é possível garantir a satisfação de líderes, empregados, trainees e estagiários”, afirma o palestrante.

Dentro do segundo bloco, fugindo um pouco das caixinhas de organograma, Marcelino falou sobre a aquisição ou suprimento como a primeira e mais importante dimensão das múltiplas funções do RH. Mas não basta contratar. Gerenciar pessoas exige acompanhar seu desempenho com muita atenção. É preciso manter e reter os funcionários. Energizar todo o pessoal, dar a ele um senso de direção, engajá-lo na empresa, capacitá-lo e motivar o desenvolvimento vai muito além da sua manutenção. Finalmente, a quinta dimensão compreende a tarefa mais difícil: desligar funcionários. “Pelo amor ou pela dor, todos nós um dia seremos desligados”, brinca o administrador.

Para o palestrante, o fundamental é saber relacionar os dois blocos citados anteriormente. Não se pode contratar, manter, reter, desenvolver e até desligar sem que para isso se tenha um prazo a ser cumprido, custos e quantidades a serem calculadas e até expectativas a serem respondidas (qualidade e satisfação). É nessa relação que os indicadores são indispensáveis.

É importante lembrar que medidas ou referências numéricas não são suficientes para potencializar resultados se a empresa não direciona o seu “olhar para dentro”. Modismos ou novas tendências do mercado nem sempre são uma realidade viável à sua empresa e muitas vezes não estão alinhadas à sua cultura. “Se as minhas perguntas nascerem de dentro, é certo que as respostas também estarão dentro da minha empresa.”, defende o administrador.

Para finalizar, Marcelino pontuou algumas das principais características dos indicadores ressaltando que esses são imperfeitos e somente o tempo de uso possibilitará sua melhor compreensão. O grande problema é que poucas pessoas se preocupam em medir os passos quando já se têm uma meta ou objetivo traçado. “Que medir é importante, todos nós sabemos, mas é muito comum as pessoas pensarem em medir quando tudo já foi feito.”, lamenta o palestrante.

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